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A evolução de Raimundo Colombo (DEM) nas pesquisas – aparece empatado tecnicamente com Angela Amin (PP), segundo o último levantamento Mapa/RBS – comprova aquilo que já se sabia e esperava: com domínio absoluto das câmeras de TV no horário eleitoral gratuito e um carisma transbordante, ele cativa o eleitor com a fala mansa e a expressão facial versátil, que comporta, bem e simultaneamente, tanto o sorriso quanto a rigidez.
Pois bem, Colombo tirou uma diferença de quase 20 pontos para a candidata progressista, e é muito provável, a menos que algum fato novo aconteça, que continue crescendo. Por isso, não se faltará com o bom senso ao pressupor-se que, se o script da novela não mudar, o senador democrata caminha a passos firmes para tornar-se o novo governador de Santa Catarina.
Ideli Salvatti (PT) está com dificuldades para capitalizar o apoio de Lula, talvez pelo tempo de televisão menor, talvez por ruídos de comunicação e empatia com o eleitor catarinense. Angela, por sua vez, está naquela condição desconfortável do azarão que larga bem mas, esgotado o fôlego inicial, começa a ver os concorrentes passarem, sem nada poder fazer. Com pouco mais de dois minutos de tempo de TV e um partido que está longe do poder há oito anos, tem arsenal limitado para contra-atacar, apesar do sobrenome poderoso.
Ao se analisar friamente o cenário, portanto, vê-se que, caso se estivesse em uma banca de apostas, a opção mais segura e menos arriscada, neste momento, seria Raimundo Colombo.
Mas é exatamente aí que entra a grande questão: se aqui em SC o senador está perto de liquidar a fatura, em nível nacional Dilma Rousseff (PT) só perde a eleição se um disco voador pousar no Brasil para abduzi-la e deixar José Serra (PSDB) sozinho no páreo. Ao contrário de Ideli em SC, Dilma está recebendo a transferência de votos catalisada por Lula, cujo carisma e apelo eleitoral dispensam comentários (fico até imaginando o sucesso que seria uma chapa com Lula na cabeça e Colombo de vice. Ganhariam sem fazer campanha nem sair de casa para abraçar eleitor).
E, se Dilma e Colombo vencerem, como é plausível pressupor hoje, SC ficará novamente mais distante do poder central, visto que o Democratas do senador passaria novamente às linhas de oposição em nível federal.
Pois é, política é mesmo um xadrez complicadíssimo. Ou, como diria meu pai, um telhado em que não se consegue arrumar uma telha sem desarrumar outra. E daí já fico até imaginando, morrendo de medo: será que, uma vez confirmado o prognóstico feito aqui, vamos receber recursos para a duplicação da BR-470 nos próximos quatro anos? Ou será que os petistas iriam guardar o milho da safra para dar às galinhas do próprio quintal?
Quem viver verá.
![]() | Rodrigo Pereira Jornalista, formado e pós graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina, acumulou 10 anos de experiência como editor e repórter em três jornais catarinenses. Nesta coluna, assume a função de analista, comentando aspectos e nuances dos acontecimentos relatados pela mídia. É a interpretação dos fatos por quem conhece a notícia. |