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O FLAMENGO ESTÁ FLERTANDO COM O ABISMO
Sábado, 04 de Setembro de 2010

É sofrível. Ou melhor, e sem exageros, é medíocre o futebol que o time – ou algo parecido com isso – do Flamengo, dono da maior torcida do  Brasil, tem apresentado nas últimas rodadas. A cada derrota, a cada ponto perdido, a cada gol desperdiçado nas raras oportunidades criadas, aumenta a minha convicção – não sei se convicção tem diferentes níveis – de que este será um campeonato de muito sofrimento para a torcida rubro-negra.


As derrotas vão acumulando, o time vai despencando na tabela e, se não reagir urgentemente, o atual campeão brasileiro vai namorar com o fantasma da "Segundona" durante todo segundo turno, correndo o risco de rebaixamento, para tristeza da sua imensa legião de torcedores espalhados por todo país.


Mas o que acontece com o Flamengo, que manteve a base do time que, no ano passado, de forma surpreendente, conquistou o Brasileirão, deixando para trás os favoritos São Paulo, Internacional e Palmeiras?


É simples responder. Primeiro, o Flamengo tem um elenco apenas razoável e seu ataque-de-pianço, ao contrário do ano passado e do primeiro semestre deste ano, é de uma pobreza de qualidade assustadora. Apostar em Val Baiano e Leandro Amaral é confiar demais em São Judas Tadeu – padroeiro da equipe. Sem falar no gringo Borja. Três contratações equivocadas. Val Baiano dando de canela e perdendo gols incríveis, nunca – eu disse nunca – poderia estar recebendo R$ 150 mil de salários por mês.


O time tem o pior ataque do certame. E sua diretoria não se planejou para manter pelo menos um dos dois atacantes do Império do Amor para o segundo semestre.


A esperança é que outros dois atacantes recém contratados, Diogo e Deivid, possam tornar o ataque mais competitivo, pois ele hoje pode ser comparado a um leão banguela: até assusta, mas não fere ninguém.


Alem da falta de poder ofensivo, o Fla deste brasileiro tem outro problema. Dois, aliás: Pet e Renato. Os dois jogadores estão visivelmente fora de forma. A dupla se arrasta em campo quando chega o segundo tempo. Com eles a equipe joga com dois a menos quando está sem a posse de bola. O que tem sido determinante para os recentes fracassos do time carioca.


Sem o mesmo gás de antes, Pet, não consegue render tecnicamente, e sua participação ou produção nos jogos tem se resumido a cobranças de falta e de escanteio, sua especialidade. E pelo passado deles, o ex-técnico Rogério Lourenço; Toninho Barroso no jogo que comandou a equipe, interinamente, na derrota para o Guarani; e Silas, contra o Cruzeiro, não ousaram sacar a dupla, facilitando assim o trabalho dos adversários. Inexplicável.


O Flamengo, depois de todo o primeiro turno irregular, e de ter queimado a gordura que conquistara antes da Copa, terá um desafio dos mais difíceis pela frente. Vai ter que fazer as pazes com o futebol. Em um campeonato tão equilibrado, terá de vencer ou vencer daqui pra frente. Caso contrário, a “nação” rubro-negra viverá uma das mais tristes páginas de sua vitoriosa historia.


ZICO E SILAS PODEM PROTAGONIZAR TRISTE EPISÓDIO DA HISTÓRIA RUBRO-NEGRA


Silas tem competência. É um profissional da nova safra de bons treinadores. Zico vai lhe garantir as melhores condições de trabalho e ambiente. Mas, ainda assim, tenho dúvida quanto ao sucesso do seu trabalho neste ano.


Não sei se o perfil dele é o ideal para comandar um elenco acostumado a privilégios, a poucos treinamentos – não treina em período integral. Se quiser mudar esta cultura do grupo, pode encontrar resistências e criar animosidade e até desafetos.


Ter muita habilidade para lidar com os jogadores e ao mesmo tempo exercer liderança que o cargo exige serão fundamentais. Como não possui muita experiência em clubes grandes, como técnico, entendo que a missão de Silas será árdua. É por esta razão que desconfio, ou fico com um pé atrás, a respeito da possibilidade do treinador emplacar no Flamengo.


Além de fazer a equipe jogar bem com um elenco apenas razoável, e com muitas limitações, Silas também terá de ser um gestor motivacional. Não será fácil.


Zico, ídolo maior do Flamengo, nunca perderá sua majestade na Gávea, mas corre o risco de entrar para história – de forma negativa – como o diretor responsável por montar a equipe rebaixada pela primeira vez.


Tempo para reagir ainda tem. Mas esta reação tem começar logo na próxima partida. Se não, o desafio será cada vez maior.


Instável na defesa, com um meio de campo ultrapassado e fora de forma, além de um ataque de risos, o Flamengo está bem perto do abismo.


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Paulo César PC
Jornalista, com experiência em rádio e TV. Atualmente, além de coordenar o departamento de Jornalismo da Rádio Nereu Ramos, narra jogos de futebol nos quais o veículo faz cobertura. Na coluna Esportes do Análise em Foco, traz ao público os bastidores do mundo esportivo. Informação exclusiva e comentários afiados sempre no repertório.
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