
Os recentes acontecimentos acompanhados pelo país, mostrando imagens, praticamente irrefutáveis, de dinheiro na meia, na cueca (mais uma vez) e dentro de caixas, novamente nos coloca diante de um espelho para nossa própria vergonha.
Revelou-se mais um esquema de mensalão, dessa vez ocorrendo no Distrito Federal, mais uma vez em “Brasília”. Dessa vez tudo indica que era gerenciado pelo governador afastado José Roberto Arruda, o mesmo que em 2001 participou da quebra de sigilo da votação que cassou o então senador Luiz Estevão.
José Roberto Arruda teve de renunciar ao cargo, naquela época, assim como seu parceiro, o falecido senador Antônio Carlos Magalhães. Anos se passaram, muita água rolou debaixo da ponte, e José Roberto Arruda voltou como governador do Distrito Federal.
Esses episódios todos, além de me impressionar pelas imagens, como todos ficaram, também me impressionaram por outras atitudes, vindo de posições sociais que se mostraram, no mínimo, curiosas.
Foi o caso da OAB, da CNBB e de alguns “movimentos sociais”, que, diante das imagens e do escândalo, pularam na frente, pedindo apuração dos fatos e a renúncia do governador, fato que não ocorreu durante o mensalão do presidente Lula.
E, falando
Da mesma forma, muitos partidos, que antes esbravejavam diante de uma situação como essa, se encontram acanhados e silenciosos, se comparados com o seu passado.
Esses fatos todos deveriam nos preocupar muito, não apenas porque é o DEM (Distrito Federal), ou o PT (Governo Federal), ou o PSDB (Minas Gerais), ou mesmo o PA, PB, PC...
Mas porque estão ocorrendo, e as notícias veiculadas indicam que, infelizmente, a presença dessa prática está aumentado e em muitos segmentos da sociedade, que, por conta dessa impunidade, acaba por tolerar essa prática, incorporando-a no seu dia a dia.
Dias atrás, por exemplo, diante desses fatos todos, um amigo, com passado fortemente idealista, e simpatizante do partido do governo atual, que passou pelo mesmo constrangimento tempos atrás, quando estourou o mensalão no congresso nacional, me disse, um pouco cabisbaixo, que a realidade mostrava que todos faziam isso, e não apenas eles.
Infelizmente, isso não anistia todos. Muito menos é motivo de orgulho. Pior, se o governo Lula fez, e nada aconteceu, não significa que os outros podem fazer. Essa corrupção, tanto em escala federal quanto estadual, acaba por reforçar uma situação combinada de impunidade com tolerância, que nos arrasta para trás. Confesso que tenho medo dessa receita.
A verdade é que, com tanto telhado de vidro, só nos resta rezar, e rezar muito, para que não chovam mais pedras sobre as nossas cabeças.
Por Malcon Tafner, reitor do Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi), professor do Instituto Catarinense de Pós-Graduação (ICPG) e gestor do Grupo Uniasselvi.